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15/05/2026

A vida me deu resteira

​Dizem que a vida é uma mestre severa, mas ninguém nos prepara para a rasteira que vem de quem deveria nos segurar. Amar alguém com a totalidade da existência e, em troca, receber o abandono, é como ter o chão retirado sob os pés enquanto se olha para o céu. É uma queda que não fere apenas o corpo, mas estraçalha a confiança e a percepção de quem somos. ​Fui deixada para trás por aquele que foi o meu norte, o meu porto e o meu "para sempre". O vazio que fica não é apenas a ausência de uma pessoa, mas a morte de todos os planos que desenhamos juntos. É o peso de um silêncio que grita em cada canto da casa, em cada lembrança que insiste em visitar o presente. ​A rasteira foi violenta, o impacto foi seco. Mas, no chão, entre os pedaços do que restou, percebo uma verdade dolorosa, porém necessária: quem abandona o outro no momento da maior entrega, nunca foi digno da morada que construímos em nosso peito. ​A dor agora é imensa, um oceano difícil de atravessar. No entanto, mesmo com o coração em frangalhos, eu ainda estou aqui. A vida me derrubou, é verdade. Mas ela esqueceu que, embora eu tenha perdido o homem que mais amei, eu ainda possuo a mim mesmae essa é a única pessoa que nunca poderá me abandonar de verdade. Vou levar o tempo que for preciso, mas vou levantar. Não por ele, nem pelo que fomos, mas pela mulher que sobreviveu à queda.

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